
Os Ciganos no Brasil
Constam os documentos históricos que o primeiro cigano a pisar no Brasil foi João Torres, com sua mulher e filhos, na qualidade de degredados. Tratava-se de um Kalón português, especialista na forja de armas. Outros seguiram-se a João Torres, também como deportados, que uniram-se e passaram a atender aos novos habitantes brasileiros, bem como os integrantes e governantes da corte no Brasil firmados.
Exerciam atividades artísticas como a música e dança, artes circenses e também ocupações artesanais e ainda inexistentes na colônia. Outros juntaram-se às bandeiras na exploração da nova terra, como guias, armeiros, coureiros e soldados.
Com o passar do tempo, começa a se notar um número considerável de ciganos influentes na corte, ocupando posições como desembargadores, delegados e juízes. Alguns, também, passam a traficar com escravos negros oriundos da África. Sendo que, estes últimos caíram em desgraça entre os seus, já que, segundo a maior parte das diversas leis ciganas, comercializar a vida humana é um crime imperdoável.
E, com a abolição da escravatura, estes ciganos traficantes acabam por tornarem-se em sua maioria miseráveis, já que, por tradição, o cigano não acumula riquezas, a não ser reservas para uso imediato. Os que não decaíram com o fim da escravidão no Brasil voltaram-se ao comércio de mulas e cavalos, ainda que ignorados pelos demais ciganos.
Sofreram violenta discriminação, durante o século XVII e XIX nas Minas Gerais, perseguidos pela igreja católica e as autoridades locais, especialmente por comercializarem e trabalharem na lida com pedras preciosas e metais nobres. Tachados como ladrões e desonestos, travaram-se entre não-ciganos e estes, batalhas sangrentas em disputas por vezes sem motivo
As pesquisas de estudiosos e ciganólogos crê em duas correntes migratórias iniciais de ciganos pára o Brasil. A primeira no século XVI, dos Kalóns espanhóis e portugueses como degredados e voluntários e a segunda dos Rom, já no século XIX. A última corrente migratória de ciganos compreende os Sinti que vieram para o Brasil com imigrantes italianos e alemães, somente no final do século XIX e início do século XX. Mas, é certo que muito ciganos entraram no Brasil como imigrantes não registrados como tais, já que não existia um apontamento determinando a identidade étnica. Daí, a dificuldade em classificar tais ciganos em números exatos ou calcular sua distribuição geográfica.
Estudos recentes também apontam que hoje, no Brasil, a maior parte da população cigana está estabelecida, tendo abandonado o nomadismo. Mas, mesmo esta informação é duvidosa já que as formas de amostragem e classificação de tais dados são difíceis de serem obtidos.


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