domingo, 18 de abril de 2010


Ciganos Banjara

Diversos grupos nômades podem ser encontrados na Índia entre eles, destacamos os ciganos Banjara ou Labhani que dedicam-se a arte, artesanato, trabalho com ferro e comércio de animais. Originalmente pertencem ao Deserto Thar do Rajastão e falam um misto entre o Romany e o Hindi, influenciados pela região a qual pertencem. Banjara significa “os que vieram das terras secas”.

A arte notória destes ciganos orientais é um fator muito relevante em suas vidas, especialmente enfatizado por sua música e dança, sempre baseados no Deuses e Divindades da mitologia hindu, seus conflitos e lições, e na mística Sufi. São considerados os ciganos mais próximos da possível raiz e origem dos ciganos de uma maneira geral.

A apresentação realizada do Grupo Maniji na Festa da Comunidade do Espírito Gitano, assim como no Revelando e em outros eventos estava voltada aos Ciganos Banjara e suas tradições, enfatizando a instrumentos utilizados em seu bailado folclórico, tais como: o Kali ou Rovli (bastão) e o Horro ou Sabjia (espada).

Ambos tratam-se de armas brancas que originalmente eram instrumentos de batalha que, apaziguados pela arte da dança, ganham um caráter teatral e desafiador. Ressaltando assim, a masculinidade do homem cigano, assim como a força que deve este demonstrar perante a sociedade (cigana ou não-cigana). Também trata esta apresentação do duelo do Bem contra o Mal, onde a Maldade é certamente subjugada ou vencida pela Virtude.

Dança Cigana para Crianças

A dança na vida das crianças, é fundamental, tanto para sua formação artística quanto para sua integração social. Tudo porque a dança desenvolve os estímulos:

*TÁTIL – Sentir os movimentos e os benefícios para seu corpo.
*VISUAL – Ver os movimentos e transformá-los em atos.
*AUDITIVO – Ouvir a música e dominar o seu ritmo.
*AFETIVO – Emoções e sentimentos transpostos na dança
*COGNITIVO – Raciocínio, ritmo, coordenação e disciplina.
*MOTOR – Esquema corporal, desenvoltura.

São também trabalhados aspectos tais como: timidez, criatividade, musicalidade, socialização e o conhecimento da dança em si.
Na dança cigana em específico são trabalhadas ainda a auto estima, onde as crianças são colocadas em contato com a raiz da emotividade, dos sentimentos. É certo que uma aula desta modalidade de bailado é bastante diferenciada no que tange às crianças, sendo o aprendizado bastante diverso do adulto.
Mais do que uma atividade física, que já é benéfica, a dança é uma forma de contato com o divino, com a essência de tudo.


Os Ciganos no Brasil


Constam os documentos históricos que o primeiro cigano a pisar no Brasil foi João Torres, com sua mulher e filhos, na qualidade de degredados. Tratava-se de um Kalón português, especialista na forja de armas. Outros seguiram-se a João Torres, também como deportados, que uniram-se e passaram a atender aos novos habitantes brasileiros, bem como os integrantes e governantes da corte no Brasil firmados.
Exerciam atividades artísticas como a música e dança, artes circenses e também ocupações artesanais e ainda inexistentes na colônia. Outros juntaram-se às bandeiras na exploração da nova terra, como guias, armeiros, coureiros e soldados.
Com o passar do tempo, começa a se notar um número considerável de ciganos influentes na corte, ocupando posições como desembargadores, delegados e juízes. Alguns, também, passam a traficar com escravos negros oriundos da África. Sendo que, estes últimos caíram em desgraça entre os seus, já que, segundo a maior parte das diversas leis ciganas, comercializar a vida humana é um crime imperdoável.
E, com a abolição da escravatura, estes ciganos traficantes acabam por tornarem-se em sua maioria miseráveis, já que, por tradição, o cigano não acumula riquezas, a não ser reservas para uso imediato. Os que não decaíram com o fim da escravidão no Brasil voltaram-se ao comércio de mulas e cavalos, ainda que ignorados pelos demais ciganos.
Sofreram violenta discriminação, durante o século XVII e XIX nas Minas Gerais, perseguidos pela igreja católica e as autoridades locais, especialmente por comercializarem e trabalharem na lida com pedras preciosas e metais nobres. Tachados como ladrões e desonestos, travaram-se entre não-ciganos e estes, batalhas sangrentas em disputas por vezes sem motivo

As pesquisas de estudiosos e ciganólogos crê em duas correntes migratórias iniciais de ciganos pára o Brasil. A primeira no século XVI, dos Kalóns espanhóis e portugueses como degredados e voluntários e a segunda dos Rom, já no século XIX. A última corrente migratória de ciganos compreende os Sinti que vieram para o Brasil com imigrantes italianos e alemães, somente no final do século XIX e início do século XX. Mas, é certo que muito ciganos entraram no Brasil como imigrantes não registrados como tais, já que não existia um apontamento determinando a identidade étnica. Daí, a dificuldade em classificar tais ciganos em números exatos ou calcular sua distribuição geográfica.
Estudos recentes também apontam que hoje, no Brasil, a maior parte da população cigana está estabelecida, tendo abandonado o nomadismo. Mas, mesmo esta informação é duvidosa já que as formas de amostragem e classificação de tais dados são difíceis de serem obtidos.


As Festas Ciganas

Muitas hoje são as festas ditas ciganas, ou seja, que tem por temática a cultura cigana. Muitas também são as críticas vinculadas a estes festejos, na maior parte das vezes realizados pelos gadjôs (não-ciganos). E é sobre esta dualidade que tratarei aqui.

As comemorações ciganas são festas belíssimas, repletas de danças, de boa música, de alegria e encantamento. Isso verdadeiramente é fato. Quem já teve a oportunidade de presenciar uma celebração cigana, seja ela qual for: um casamento, um batismo, uma slava (festa religiosa) ou mesmo uma mera reunião de amigos; sabe do sentimento de exultação que toma conta dos presentes, da alegria que se dissemina entre os convidados. A beleza dos bailados, a força da música cigana e a ancestralidade das tradições tomam conta das pessoas de forma a levar a cada indivíduo uma emoção única.

Não, isso não é exagero, explica-se. Uma festividade do povo cigano é uma celebração a alegria, a vida e consequentemente a forma que o cigano enxerga a Deus. Para o povo cigano, a figura de Deus ou da Divindade Maior reside na junção de todas as boas coisas, os bons sentimentos, ou seja, na felicidade de uma festa reside também uma forma de culto ao Superior. Não é Deus apenas o Pai, mas sim, a personificação do Bem e daquilo que é realmente bom e belo. Daí, o caráter positivo que rege a estas comemorações e enleva seus presentes.

No entanto, muitos criticam algumas festas realizadas por algumas pessoas desinformadas a respeito da mitologia e memória cigana, aonde determinado tipo de atitudes tomadas realçam esta falta de conhecimento acerca do que é verdadeiro a respeito das tradições do povo cigano. Muitas vezes, estas críticas têm propriedade e razão de ser. Existem sim pessoas que tomam festas de “temática cigana” e tornam-nas legítimas festas da tradição deste povo, como se idealizadas e realizadas por ciganos autênticos. E, pela falta de ciência, acabam por oferecer ao seu público muitas coisas equivocadas e sem sentido cultural.

Mas, evidente, que nem toda festa realizada por um gadjô está enquadrada no caso acima descrito. Existem festejos maravilhosos e lindamente organizados por indivíduos idôneos e que não são ciganos de sangue. Mas que, sim, são amantes e admiradores do povo cigano e sua reminiscência e que tem por finalidade impulsionar e divulgar a beleza da tradição cigana em suas festas. Trata-se de uma homenagem e é assim que devem ser encaradas, como uma forma de valorizar o cigano e sua forma de viver e pensar. Desmistificam também, a sua maneira, a visão maléfica que muitas vezes o cigano possui na sociedade gadjê (não-cigana), revelando o que há de admirável e louvável e que a maior parte das pessoas desconhece.

Então, que seja, entre críticas e a tradição verdadeira, fique com a informação. Que as festas se realizem, de ciganos de sangue ou não, mas que sejam sempre baseadas nas informações adequadas e de boa procedência, afim de que as ambigüidades cessem de vez e seja a verdadeira tradição pregada de forma a enaltecer a cultura cigana legítima. E que os simpatizantes tenham sempre o privilégio de conhecer e apreciar uma verdadeira festa cigana, plenas de alegria e arte.


O Machismo Cigano

O dito machismo presente entre as culturas ciganas é assunto bastante polêmico… O que podemos dizer é que, na maior parte das vezes, esta afirmação é verdadeira.

O homem ocupa a função de patriarca, de chefe da família, na maioria dos grupos ciganos, sendo que deve ser respeitado como tal. À mulher cabe o cuidado para com os filhos e o marido, assim como os afazeres domésticos. Em alguns grupos clãs, a mulher além de dever obediência total ao marido, raramente opina nas questões mais importantes. E, olhando por este prisma, realmente veremos a sociedade cigana como extremamente machista.

No entanto, ao encararmos por um outro ângulo veremos que também é de incumbência do homem cigano, na maior parte dos clãs, proteger a família, assim como ser o braço forte no âmbito familiar. Também este homem deverá ser a sua esposa não só fiel, como também ser seu apoio e segurança.
Às mulheres cabe o papel de transferir ao marido e aos filhos a docilidade feminina, assim como incentivar o companheirismo e o amor familiar. A esta mulher também recairá a responsabilidade de ensinar a prole os bons valores, a beleza da vida e seus encargos, bem como manter este lar em um ambiente alegre e aconchegante.

Vamos dizer, pois, que os papéis são muito bem definidos entre homens e mulheres e, que, de certa forma, os valores representados na unidade familiar cigana são relativamente conhecidos, apesar de antigos se comparados a atual sociedade não-cigana. Pode-se concluir que o dito machismo cigano não passa de uma questão de ponto de vista ou mesmo de criação.

O cigano é um povo apegado aos seus próprios conceitos e isso se explica de uma forma bastante simples. Foi este um povo perseguido ( e ainda é acossado, na maior parte das vezes), vítima de todo tipo de preconceito e de uma mítica equivocada a seu respeito. É normal que sejam defensivos e, que esta conservação esteja galgada na preservação de seus valores tradicionais, bem como em sua forma de viver e coexistir entre seus pares. São defensivos quanto aos conceitos externos, especialmente os valores provenientes dos possíveis criadores de tal discriminação. Daí, a existência de costumes e hábitos já decadentes na sociedade gadjô (não-cigana) como os descritos, que ainda são correntes no meio cigano.

Errados? Certos? Difícil de dizer. Como já se afirmou, tudo pode apenas residir em uma questão de concepção e entendimento ou até de formação. O importante é que resida e impere a compreensão e a sabedoria na compreensão das culturas diversas – tanto para ciganos, quanto para não-ciganos.